Mas afinal como é que o stress faz mal?

Parece-me uma boa pergunta, certo? Porque se apenas observamos que A costuma andar de mãos dadas com B – aquilo que se chama correlação – podemos inferir que, se temos A provavelmente obteremos B. O que não podemos deduzir é causalidade: que A provoca B, ou B provoca A. E esta é uma base de raciocínio importante em ciência, nomeadamente na ciência psicológica, e que pode criar muita confusão na interpretação das várias coisas que nos acontecem ou podem vir a acontecer (e, às vezes, fazer as pessoas perderem tempo a solucionar um A, que por muito que apareça simultaneamente com um B, não o causa, mas isso será uma outra conversa para termos).

 

Voltando a este nosso título: olhe em volta e à primeira pessoa que vir pergunte-lhe se o stress faz mal à saúde. Das duas uma: ou acaba de dar com um extraterrestre (e recomendo que procure pelas antenas verdes) ou a resposta vai ser afirmativa. Toda a gente sabe: o stress faz mal à saúde. Para alguns, o stress é mesmo o diabo em pessoa. Mas será? Todo o tipo de stress? Em qualquer circunstância e para qualquer pessoa? O que é mau para si é mau para mim? Para respostas mais aprofundadas a estas perguntas e, sobretudo, para aprender formas de quebrar a ligação entre acontecimentos potencialmente stressantes e a respectiva reacção negativa, que é o que importa, recomendo-lhe o curso “O Stress e Eu“, mas há algo que lhe posso dizer já, no espaço deste pequeno artigo: o vilão da história é o stress crónico – acontecimentos externos ou internos que elevam o patamar de reacção do organismo na tentativa de se ajustar a essa realidade, de uma forma constante ao longo de uns meses.

 

E há muito pouco tempo é que foi demonstrado que, de facto, existe uma relação de causalidade entre stress crónico e saúde porque se descobriu que o stress psicológico crónico interfere com a capacidade que o organismo tem de regular a resposta inflamatória, aumentando o risco de problemas de saúde tão diversos como depressão, doença cardiovascular e doenças infecciosas.

 

Mas qual é o papel da inflamação neste processo? Já ouviu falar no cortisol, a chamada hormona do stress, libertada no organismo quando o stress se instala para uma visita de longa duração? Pois o cortisol é um dos agentes responsáveis pela regulação dos níveis de inflamação e quando não consegue dar conta do recado, porque está muito ocupado a participar da reacção de stress, a resposta inflamatória fica descontrolada. Mais especificamente, as células imunitárias, cuja função é proteger-nos da doença, ficam insensíveis ao efeito regulatório do cortisol e não conseguem regular a inflamação que, por sua vez, tem um papel fundamental em problemas de saúde muito diversos, das simples constipações a doenças autoimunes e problemas cardíacos.

 

A minha sugestão? pela sua saúde, aprenda a lidar com o stress!

Referência:

Sheldon Cohen, Denise Janicki-Deverts, William J. Doyle, Gregory E. Miller, Ellen Frank, Bruce S. Rabin, and Ronald B. Turner. Chronic stress, glucocorticoid receptor resistance, inflammation, and disease risk. PNAS, April 2, 2012 DOI: 10.1073/pnas.1118355109

22/05/2017

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